domingo, 29 de maio de 2016

O mais puro fruto proibido


        “É tarde demais!” uma expressão que assombra todos os dias os corações por alguma razão. Não apenas nas questões do coração, mas da vida também. É o medo de que o tempo que desperdiçamos todos os dias venha nos assombrar pelo resto da vida. E mais assombrados ainda ficamos quando tivemos uma grande experiência nos âmbitos do coração ou fomos marcados por alguém que insiste em não nos deixar em paz. Isso me lembra de uma história que ouvi, certa vez, a qual jamais deixou a minha memória. Vou-lhes contar essa história a minha maneira, pois preciso encantar o seu coração como, um dia, o fizeram com o meu ao ouvi-la.


Ela era uma garota simples que vivia de sonhos. Como, para realizar sonhos não é preciso nada mais que trabalho árduo, lá estava ela sempre no meio da batalha. A beleza nunca havia a tocado, e mesmo assim, seu jeito peculiar causava certa curiosidade.
Foi com os cabelos desalinhados, fronte brilhante de suor e voz arfante que ela o conheceu no balcão de uma livraria, assim que entrou. Era uma tarde quente de inverno. Naqueles dias a temperatura não era mais conforme a estação do ano, mas como tinha que ser. Ele era um homem atraente, ainda não marcado pelos anos, que parecia ter vivido muitas aventuras, muito além daquelas vividas entre as páginas de um livro. Algo vivia em seus olhos, difícil de explicar sem conhecê-lo. Quem ele era ou quem poderia ser eram perguntas sem resposta naquele instante.
A procura por um livro, muito especial por acaso, era a razão de sua presença na livraria: Jane Eyre de Charlotte Brontë. Ela já havia lido outros livros das Irmãs Brontë como O Morro dos Ventos Uivantes, mas aquele ela precisava possuir para sempre. Um jovem rapaz a atendeu e mostrou a ela uma estante com muitos livros da Jane de todos os tamanhos e idade. Ela precisava escolher um, assim, o rapaz a deixou a vontade com os livros, porém, o seu momento solitário entre os livros não durou muito, pois o homem do balcão surgiu do meio das estantes com um sorriso misterioso e perguntou se ela precisava de ajuda. E foi a partir desse instante que aquelas vidas mudaram de rumo.
Conversaram e conversaram muito. Descobriram que a afinidade deles era além dos livros, como também em outras artes: a música, teatro e cinema. Em poucas horas eles pareciam que se conheciam há anos. Uma sensação quase familiar, confortável. Só podia existir uma espécie de encantamento, magia para que algo assim acontecesse, pois ele até chegou a convida-la para trabalhar na livraria com ele. E sem hesitar ela aceitou. Ela precisava de um emprego, e trabalhar em meio aos adoráveis livros era um dos sonhos que faltava ser realizado.
Nada, infelizmente, acontece por acaso. O infeliz tempo os aproximou e se perderam nos olhos um do outro. Eram perfeitos um para o outro até o dia em que ela descobriu que ele tinha uma marca no pulso esquerdo. Era a marca de outra pessoa. Ele não era um pássaro livre e sem dono como dizia, estava apenas perdido em si mesmo. Ele pertencia a alguém que estava do outro lado do mundo. Mas, como estavam perdidos um no outro, tal descoberta não os impediu de compartilhar seus sonhos e desejos.
E sem esperar ou planejar, lá estavam eles nos braços um do outro. Não diria que estavam apaixonados, mas completavam o destino mágico das histórias: o encontro da pessoa dos sonhos. Encontraram a beleza onde nunca havia existido, a segurança, a esperança e eles mesmos. Não era de se explicar o porquê dos momentos roubados, das fugas e dos bilhetes escondidos com palavras sinceras.
Mas, infelizmente, a beleza desse romance não poderia durar muito, pois a razão já começava a falar mais alto que o coração. A realidade impedia que ficassem juntos, pertencessem um ao outro, pois ele já era marcado por alguém. Isso não poderia mudar. Era tarde demais para eles. O destino já havia determinado a separação deles. E, em alguns meses, um navio o esperava para levá-lo para longe dela.
Ela se sentia perdida nos abraços dele. Viviam entre roubos e assaltos ao tempo para ficarem juntos. Tinham que aproveitar todo o tempo que podiam ficar juntos. Não era a maldade e a luxúria que os levavam a isso e muito menos a intenção de ser cruel ou infiel, mas o conforto da companhia, o calor de um abraço, o sabor de um carinho sincero, a sensação deliciosa de um beijo, momentos que o mundo real jamais ofereceria a eles daquela maneira. E porque não viver intensamente aqueles momentos? Porque não sentir o sabor que emana dos lábios dele, do olhar sedento, do calor do corpo em chamas, do peito arfante de desejo? Quem poderia julgar como errado tal grandioso sentimento?
Se ela pudesse escolher, ficaria com ele para sempre. Não sabia o que tinha encontrado nele. Talvez fosse só um pouco de encanto que faltava nela ou apenas uma viagem ao desconhecido que precisava. E como seria incrível poder tê-lo para sempre! Qualquer garota sonharia ao conhecer o seu homem dos seus sonhos, mas ela não podia nem sequer desejar isso. Era apenas um sonho e sempre seria. Infelizmente ela era uma Jane Eyre. Conhecera o seu Edward Rochester, viveu com ele momentos inesquecíveis, mas chegara a hora de deixá-lo voltar para a Bertha e ir embora de Thornfield Hall. Não era o seu desejo, mas a realidade a obrigava a fazê-lo. Jamais seria ela a responsável pela destruição dos próprios sonhos e de corações desconhecidos. A maldade existe em todos nós, porém não o suficiente para que ela tomasse uma decisão como esta. Seria injusto. O destino havia se encarregado de complicar tudo para que eles não soubessem como seria o fim da história.
O dia da partida dele chegara. Ele deixaria a livraria aos cuidados dela, pois não havia mais ninguém que melhor cumprisse essa tarefa. Ela não poderia tê-lo para si, mas ficaria com um pedaço dele: seus livros. Outro amor que compartilhavam e que entre eles jamais se sentiria sozinha.
Com um beijo na testa e um abraço dolorido ele disse adeus. Tudo tinha sido um sonho, mas chegara a hora de despertar. O navio o esperava, assim como aquela que o havia marcado. Ele pediu a ela que não fosse vê-lo embarcar, mas ela não pode deixar de vê-lo por uma última vez. Precisava dizer adeus. No fundo ele sabia que ela viria, pois tinha em suas mãos nove tulipas vermelhas e um rolo de papel na mão com uma fita dourada. As palavras escritas naquele papel eu não pude esquecer, por isso vou reproduzi-las aqui:

“Lembre sempre da beleza dessas flores nesse instante, pois em alguns dias elas não estarão mais tão belas e deixarão de existir, mas estarão sempre vivas na lembrança de quem as recebeu e as amou. Assim como nós: vivemos um belo e breve sonho que agora se acaba, mas sempre estará vivo em nossos corações. Os detalhes podem ser levados com o tempo, mas enquanto durar esta lembrança ainda existirá a esperança. Espero que antes do fim ainda possamos nos encontrar outra vez. Sei que você cuidará muito bem da minha parte que deixo com você. Prometo que voltarei um dia. Antes do fim estarei novamente em seus braços.”

Um último apito do navio soava. A hora era chegada e o adeus findara. Eles se tomaram nos braços um do outro pela última vez. Os olhos brilham e o coração fica apertado. E como não havia mais tempo, eles se desvencilharam um do outro e, com um último sorriso, ele correu para o navio. E ela se manteve no cais até ficar cega pelas lágrimas e arfante na tentativa de controlar os soluços que explodiam do peito.
Ele se fora. Algo dizia que ainda se encontrariam outra vez. Só não sabia quantas décadas levaria. Jane e Edward haviam se reencontrado, apesar de tudo o que passaram. Talvez com eles não fosse tão diferente. Talvez o tarde demais deixasse certo dia de existir. Quem sabe hoje, ela marcada pelos anos, não escrevesse uma história como esta, marcando as páginas de um livro com a beleza de um amor e o perfume da esperança, pois que sabe, um dia, ela ainda o veria desembarcar do navio. E se isso acontecesse, uma nova história seria contada. Até lá ela viveria os seus sonhos, cuidaria da livraria e conheceria o mundo, pois para isso ainda não era tarde demais.
E assim termina uma parte dessa história. O final não me cabe revelar, mas a sua imaginação e julgamento. Espero que os meus leitores ávidos tenham sido tocados por estes amantes, agora eternizados nessas páginas desse livro. Não louvo aqui a traição, mas o sentimento amor que é sublime em sua essência, o qual não escolhe quem atinge e o seu atingido não é culpado. Culpado são aqueles que o negam por mesquinharias e por medo de ser julgado.
Por S.W.

Conto publicado em novembro de 2012 na antologia Corações Entrelaçados, organizada por Leandro Schulai e a Editora Andross.

quinta-feira, 15 de março de 2012

A Estrada das Histórias de Fadas

Boa Noite!
Sim, eu estou viva! E aqui de volta!
Estive observando o meu blog estes dias e percebi que estava faltando algo muito importante: o meu pôster acadêmico! E. é claro, sobre ninguém mais do que o meu amado J.R.R Tolkien e o seu ensaio "Sobre Histórias de Fadas". Apresentei o pôster na III Semana Acadêmica de Letras da Universidade Tecnológica Federal do Paraná em setembro de 2011. Foi uma experiência incrível! Sou eternamente grata a minha querida orientadora a Prof. Dra. Regina Helena Urias Cabreira que me apoiou nesta deliciosa tarefa e a todos que foram me visitar na apresentação do pôster. 
E para aqueles que ainda não o conhecem, aí esta ele....

Namarië...

P. S.: Em breve noticias do meu TCC sobre O Senhor dos Anéis....



A ESTRADA DAS HISTÓRIAS DE FADAS

RESUMO: O que são histórias de fadas? Qual a sua origem? Para que servem? Esta pesquisa tem por finalidade responder tais questões através do ensaio “Sobre Histórias de Fadas” de J.R.R. Tolkien (1938), na tentativa de comprovar a importância cultural e histórica e como podem ser utilizadas como formadores de indivíduos mais sensíveis e atentos à realidade em que vivem.

 J.R.R. Tolkien (1892 -1973)

INTRODUÇÃO
       As Histórias de Fadas são, de fato, muito antigas. Desde a infância as histórias de fadas exercem um papel muito mais importante que apenas o entretenimento, pois estão diretamente ligadas à formação do indivíduo. 

DESENVOLVIMENTO
       “Histórias de Fadas” para Tolkien se resume em histórias que perpassam ou usam o Belo Reino, o lugar onde as fadas existem, com uma finalidade qualquer: sátira, aventura, moralidade ou fantasia, na qual a magia deve ser levada a sério.
         A origem das histórias de fadas está ligada á origem dos elementos fantásticos (fadas, bruxas, anéis mágicos, dragões), que por sua vez estão relacionados à origem da linguagem e da mente, que levam a um debate entre a invenção independente dos semelhantes, a herança dos antepassados e a difusão em várias épocas. Todas as histórias eram originalmente mitos que, segundo CAMPBELL (1944), são uma linguagem pictórica, a qual possui a fala nativa do sonho, que permite introduzir mudanças nos padrões das iconografias herdadas pelo homem. Entretanto, COELHO (1987) afirma que a origem das fadas veio do seio do povo celta com as primeiras mulheres sobrenaturais da criação poética céltico-bretã, originando a linhagem das fadas.


         O valor das histórias de fadas não deve ser dado somente às crianças, pois elas tem um pequeno conhecimento de mundo que complica na compreensão do valor permanente da história e no discernimento entre o fantástico, o estranho, o despropositado e o adulto, mesmo que tenham a credulidade do subcriador. LEWIS (1982), assim como Tolkien, defende que às histórias fadas devem ser lidas também pelos adultos. Para ele os elementos da infância devem acompanhar o crescimento à idade adulta, unindo-se aos novos elementos que surgem neste processo, ou haverá mudança na essência do indivíduo e o crescimento não acontecerá. Além do valor literário, as histórias de fadas também oferecem a Fantasia, Recuperação, Escape e Consolo; coisas que as crianças precisam menos do que os mais velhos.
A Fantasia está ligada ao ato de conceber imagens conhecidas por Imaginação ao “poder de dar a criações ideais a consistência interna da realidade” (p.54), ou seja, a arte vinculada à Imaginação que resulta na Subcriação. A necessidade de Recuperação surge quando a fartura dos anos vividos leva ao tédio e apenas as histórias de fadas são capazes de trazer de volta o brilho as coisas que se tornaram triviais pela apropriação delas. O Escape acontece na necessidade de fuga para um Mundo Secundário em qualquer circunstância por ser uma fonte de satisfação e consolo. E, enfim, o Consolo é muito além da satisfação imaginativa de antigos desejos, mas o Consolo do Final Feliz que todas as histórias de fadas conseguem oferecer com um perfeito encanto.

CONSIDERAÇÕES FINAIS
       Muito além do consolo, alegria e reflexão, as histórias de fadas nos constituem como indivíduos por estarem diretamente ligadas à cultura que se descende da herança familiar e da linguagem. Estudar a origem destas histórias leva a perceber que a formação do indivíduo sensível vem da descoberta de que somos feitos de histórias de maneira que ouvimos muitas histórias no decorrer desta estrada que é a vida.

REFERÊNCIAS
TOLKIEN, J. R. R. Sobre Histórias de Fadas. Conrad, 2010
COELHO, Nelly Novaes. O Conto de Fadas. Ática, 1987
CAMPBELL, Joseph. O Vôo do Pássaro Selvagem: ensaios sobre a universalidade dos mitos. Record, 1997
LEWIS, C. S. As Crônicas de Nárnia. Volume Único. Três maneiras de escrever para crianças. Martins Fontes, 2009

domingo, 12 de junho de 2011

NA MINHA PORTA

Olá para todos!
Estive mais de dois meses desaparecida, mas estou de volta! Desculpem a demora!
Escrevi faz alguns meses esta história e depois de reescrevê-la várias vezes resolvi postar. 
Hoje é o dia dos namorados e uma história de amor com um final inusitado me pareceu agradável para esta data.
Aguardo os comentários e críticas!


NA MINHA PORTA


       Tardes frias e chuvosas são maravilhosas para curtir a solidão na companhia de uma xícara de chá ou uma taça de vinho e algo para acompanhar. Mas, naquele dia, eu parecia poder adivinhar que a minha paz deliciosa e aconchegante não duraria muito. E foi só pensar nisso que ouvi que alguém batia a minha porta. “Quem poderia ser?” pensei, porém da janela já pude ver quem era. Era ele...
       _ Você disse que voltaria e aqui está você! Não imaginava que você fosse voltar! Estou tão feliz em te ver!
       Estas foram minhas palavras quando eu o encontrei na soleira de minha porta. Ele tinha os cabelos enfeitados por pingos de chuva. Um sorriso se formava em seus lábios que contrastavam com o brilho dos seus olhos. Como ele continuava lindo!
       Não pude pensar em mais nada além de me atirar em seus braços. Como eu havia sentido a sua falta! Como meu coração estava agitado e minhas mãos tremiam sem meu consentimento. O seu abraço era tão bom! Eu já podia me sentir em casa outra vez! Fora uma longa espera...
       Convidei-o para que entrasse, como sempre. Ele sentou-se no sofá e eu o acompanhei. Ofereci uma xícara de chá, mas ele recusou. Ficamos ali a conversar. Ele me contou as suas aventuras pelo mundo afora, suas diversões e conquistas que alcançou. Eu tinha ficado esperando por ele em meu mundo de sonhos enquanto construía o meu império.
       Mas nada era como antes. O tempo havia nos mudado demais. Não éramos mais aqueles adolescentes de antes. Já não tínhamos as mesmas intenções de antes. Ele já não me sufocava mais como antes. Ele não iria mais poder exigir que eu fosse a mulher perfeita dos seus sonhos ao invés daquela que ele definia como uma criança chorona que falava demais e sem pensar, e que não tinha personalidade. Eu não tinha sido a melhor pessoa, mas, mesmo assim, eu estava feliz em vê-lo outra vez, agora, depois de dois anos de sua ausência.
       A noite já havia chegado quando ele disse que precisava ir, pois já estava ficando tarde para ele voltar para casa. Acompanhei-o até a porta onde ele me abraçou e finalmente me disse adeus. E, assim, ele foi embora sem ao menos olhar para trás.
       Algo tinha mudado nele depois da nossa longa conversa. Ele não conseguiu esconder a surpresa e o desapontamento ao descobrir que eu estava muito bem e realizada ao invés da dona de casa cheia de filhos que ele esperava ver. Está certo que nada seria como antes. Os anos me tornaram madura para a vida e para ele. Desfrutamos a companhia um do outro por um bom tempo até o dia em que foi preciso que cada um seguisse o seu caminho. Não foi por falta de amor, mas porque a hora tinha chegado...
       Afinal vivemos para superar aquilo que nos perturba e nos assombra. Eu tinha conseguido deixá-lo apenas na minha história até ele aparecer na soleira da minha porta e trazer tudo de volta ao início. Mas eu não me importava mais, pois foi o melhor para nós dois. Ele tinha que ir embora para sempre. A escolha que ele tinha feito o espera do outro lado da porta. A minha vai me levar aos meus sonhos.
       Não sei se agora ele irá voltar outra vez, mas não irei mais esperar por ele outra vez. Como eu estava feliz! Eu tinha feito a escolha certa. Meus sonhos sempre seriam mais importantes do que a companhia dele. Tranquei a porta e fui escrever...

Por S.W.

domingo, 20 de março de 2011

O Menino e a Borboleta

Olá para todos!!!

Demorei, mas aqui eu estou outra vez!
Alguns dias atrás eu estive lendo alguns dos meus diários e encontrei uma pequena história que escrevi em 2007 e que depois de algumas reformulações resolvi postar.
Espero que esta singela história possa trazer alegria ao seu coração como sempre traz ao meu!


O MENINO E A BORBOLETA


       Ele é um menino. Ela é uma borboleta. Ele sonha encontrar um amor para a vida toda assim como ela. Ele está à busca deste amor a cada dia que se passa, ate que ele vê uma borboleta da janela de seu quarto. Ela pousara numa flor do jardim de sua casa: belíssima com suas asas coloridas e delicadas a se mover suavemente sob o leve brilhar do sol da manhã.
       _ Será que eu conseguiria alcançá-la e trazê-la para junto de mim? _ assim pensava ele _ Ela está lá! Quem sabe me esperando para que eu a busque e a leve para casa, faça companhia a ela e lhe conte belas historias, aquelas de grandes amores inesquecíveis, de aventuras de príncipes e princesas que só eu sei contar.
       Ele vivia a imaginar como seria este encontro. Será que a borboleta viria até ele ou seria ele quem teria que sair lá fora para encontrá-la? Que dúvida cruel é esta que ajuda aumentar ainda mais a sua timidez. Como ela iria reagir quando o visse? Será que voaria para longe como as outras ou deixaria ele se aproximar dela? Ela é tão linda e perfeita! Eu não sei se mereço se sequer mereço a sua companhia, quem diria o seu amor. Apenas sei que ela é a minha alegria. Como eu seria feliz se ela me desejasse ao seu lado!
       Enquanto ele viajava em seus pensamentos e sonhos a borboleta estava a observá-lo de longe. Vivia em liberdade em meio a uma bela paisagem, mas isso não significava que ela vivia na terra de seus sonhos. Seu coração estava vazio como um jardim sem flores. Estava à espera de alguém que o preenchesse com o seu amor, seu carinho, sua companhia... E mesmo ela sendo frágil demonstrava sua coragem ao ficar olhando para o garoto sem medo de ser castigada ou até mesmo destruída por isso. Só ansiava por amor. Algo tão belo e perfeito como aquela manhã de primavera. O amor! Como poder amar faria aquela borboleta completamente feliz!
       _ Será que vale a pena amar? _ pensou a borboleta _ Acho que sim. Estou aqui a esperar que você, que olha o jardim da janela, venha até a mim. Não importa quanto tempo leve para que você descubra um pouco mais sobre mim do que a minha presença. Sei que somos muito diferente um do outro. Quero apenas que você me ame, me torne completa, me proteja e me faça feliz! Não desejo nada mais que isso. Sou pequena demais perto deste mundo gigante, mas quando eu conseguir te alcançar pousarei no seu ombro para que você sinta que eu não sou um fardo para você carregar, mas eu sou leve como uma pequena folha de roseira. Venho trazer a alegria e o meu amor para seu coração, pois é tudo que tenho para te oferecer. Agora, olhe para mim! Deixe de lado o seu orgulho, enfrente a timidez, a vergonha e venha até o jardim. Saia para sentir a brisa suave que aqui passa. Saia para ver como este lugar é perfeito como nos dois somos um para o outro. Deixe tudo lá dentro de casa e traga apenas o seu coração. Eu estou te esperando porque eu te amo. Venha!
       Ele era um menino e ela uma borboleta...
       Se o menino veio ate o jardim eu não posso dizer, mas espero que ele tenha seguido seu coração ao invés daquilo que as pessoas iriam dizer ao descobrir que ele amava uma borboleta. Eu desconheço o final desta história, mas suponho que você que esteja lendo conheça...

Por Susanne Windflower

domingo, 20 de fevereiro de 2011

Memórias

Olá para todos!!!

Aqui estou eu postando pela primeira vez!
Escolhi um conto que eu escrevi a alguns dias atrás.  
Espero que todos vocês gostem.



MEMÓRIAS


Era manhã. O sol ainda não havia sorrido no céu. Os passarinhos cantavam uma bela melodia. Segunda-feira, dia de acordar cedo para trabalhar. Minha turma de alunos me espera na escola. Um dia de grandes expectativas, pois a aula de hoje será sobre memórias.
Chegando à escola, o barulho de conversas e risos é contagiante. Mesmo sendo um lugar simples, com poucos adornos, é sempre aconchegante. Acredito que seja por ser o segundo lar de alunos e professores.
A tarefa foi proposta: O que são memórias para você? Fale um pouco sobre as suas memórias!
O tempo começa a ser contado. Todos os trinta alunos pensando. Alguns perdidos enquanto uns já rabiscam o papel furiosamente e outros apenas sorriem e olham para mim com melancolia.
A hora de compartilhar as memórias chegara. O nervosismo e a ansiedade tomam conta de todos. É um momento difícil para alguns alunos e muito agradável para outros.
Um pequeno menino começa: “Memórias para mim são os álbuns de fotografias de minha família. É o lugar onde eu posso viver quantas vezes eu quiser todos os momentos felizes que passei com todas as pessoas que eu amo”.
Uma garota de cabelos longos e escuros continua: “Memórias para mim são como as histórias que vivem dentro de nós o tempo todo. São elas que me confortam quando estou triste e me fazem sorrir outra vez. Histórias me fazem sonhar de olhos abertos”.
O discurso da garota me fez voltar no tempo: eu tinha 13 anos de novo! Agora eu me lembrava das histórias que minha irmã mais velha me contava sobre príncipes encantados, donzelas sonhadoras, cavaleiros valentes, rainhas malvadas e os “felizes para sempre”. 
Eu já havia experimentado o sabor de sonhos realizados, pois já tinha vivido o meu conto de fadas. Tinha sido muito breve e o príncipe encantado havia partido para sempre. O vento o levara como leva as folhas secas das árvores para longe.
Aquela aula chegara ao fim. Tive o imenso prazer de conhecer muitas memórias. Mesmo sendo alunos de pouca idade, todos estavam cheios de histórias para contar com apenas suas memórias. Juntei meus livros e pertences para deixar a escola. Mais um dia se passara repleto de grandes emoções e recompensas.
O sol agora já estava alto no céu. O vento soprava suavemente como se entoasse uma canção. Eu estava a caminho de casa quando eu o vejo do outro lado da rua. Era ele, o meu príncipe encantado! Parei. Meu coração batia furiosamente em meu peito. Sem demora enviei a ele um sorriso, mas ele não me devolveu. Deveria estar com pressa, pois continuou o seu caminho.
Ele havia voltado. O vento realmente o havia trazido de volta. Mas por que ele se lembraria de uma garota de 13 anos que ele tinha se negado amar, ainda mais depois de tanto tempo? Não. Ele nunca se lembraria. Eu não fazia parte de suas memórias, mas ele sempre faria parte da minha história.
    
Por S. W.